
Sair do País para estudar ou
trabalhar pode não ser uma decisão fácil, mas reserva inúmeras histórias de
sucesso de alguns daqueles que tentaram. São histórias como as contadas no
livro Fazendo as Malas, lançado em agosto,
na Saraiva Megastore do Shopping Ibirapuera. Organizado por Maurício Moura,
economista e professor da George Washington University, e Sidney Nakahodo,
engenheiro e especialista em economia e política internacional, o livro reúne
18 autores ao todo, entre eles o professor da Universidade Stanford Paulo
Blikstein, contando suas experiências de vida no exterior. Segundo eles, a
ideia de ir embora do Brasil foi um passo importante e que trouxe grandes
oportunidades pessoais com o decorrer do tempo.
"Estudar e viver fora implica em uma série da sacrifícios, mas no longo
prazo os benefícios superam qualquer dificuldade", diz Nakahodo. Para ele,
quando nos distanciamos do País, temos a oportunidade de vê-lo com outros
olhos, reconhecendo o lado bom e os desafios impostos. " Não conheço
ninguém que se arrependeu de ter passado um tempo fora, mesmo que isso implique
numa demora em entrar no mercado de trabalho ou que a pessoa encontre
oportunidades muito tentadoras aqui."
As questões financeiras, segundo Nakahodo, não deveriam ser um empecilho para
que se deixe de buscar oportunidades no exterior. No caso de Carla Ricchetti,
uma das autoras do livro, a vontade de ir atrás dos sonhos foi essencial. Carla
é advogada e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Columbia.
Além dos Estados Unidos, ela já morou na Europa, Austrália e viajou por toda a
Ásia e parte da África. A iniciativa de viajar o mundo, segundo ela, veio da
vontade de trabalhar fora e poder comparar países, trazendo a experiência para
usar no Brasil. "Hoje olhando para trás, eu lembro quantas batalhas e
lutas eu tive que enfrentar. Nada é fácil. É preciso acreditar nos
sonhos", diz.
Para Maurício Moura, a vontade era simplesmente de experimentar coisas novas e
conhecer diferentes culturas. Para ele, a pessoa deve ir pelos motivos
certos e, por isso, depende de um desejo pessoal. "Se sentir que
é algo que se quer experimentar e se tiver a oportunidade, vale muito a pena
ir."
Quando o assunto é jornalismo, o correspondente do Estado em Nova York, Gustavo
Chacra, também autor do Fazendo as Malas,
dá alguma dicas. De acordo com ele, o ideal seria a pessoa passar pelo menos um
ano fora em algum lugar do mundo que goste, não necessariamente nos EUA ou na
Europa . Uma boa opção seria Buenos Aires, onde ele também já foi
correspondente, que tem um custo bastante inferior comparado ao países
desenvolvidos e possibilita o aprendizado da língua espanhola. Outra opção
seria o mundo árabe. "Eu acho que todo jovem que tiver condições deve
morar fora, mesmo que não queira ser repórter internacional."
Por outro lado, a viagem para o exterior reserva algumas armadilhas e desafios
quando a pessoa volta ao Brasil. O engenheiro Samuel Vissoto, especializado em
mercados de produtos e serviços de alta tecnologia, alerta que não se deve
retornar com postura arrogante. "Quando você volta do primeiro mundo, acha
que sabe tudo e bate a cabeça, porque o Brasil tem falhas de estrutura e é
necessário fazer adaptações. É preciso ser criativo."
Outros autores do livro são
Marcos Ribeiro, Carla Kamitsuji , Daniel Prevedello, Danyela Egorov,
Grace Figueroa, Humberto Laudares, Julia Bacha e Katiushia Sales, Paulo da
Silva, Renato Mazzola e Roselene Chaves.